Como organizar o faturamento de uma clínica médica e reduzir erros nos repasses?

Para organizar o faturamento de uma clínica médica e reduzir erros nos repasses, é necessário registrar corretamente os atendimentos, parametrizar valores e regras, conferir as contas e acompanhar o retorno das cobranças. Além disso, o cálculo da remuneração de cada profissional deve utilizar a base e as condições acordadas com a clínica.

Esses cuidados estão conectados. Um procedimento lançado com o executante errado, por exemplo, pode comprometer os dados da cobrança e direcionar o repasse a outro profissional. Da mesma forma, uma quantidade incorreta pode alterar tanto o valor faturado quanto o honorário calculado.

A seguir, veja como estruturar essa rotina, identificar divergências e utilizar a automação para diminuir tarefas manuais.

Como faturamento, repasse e financeiro se relacionam?

O faturamento de contas médicas organiza a cobrança dos serviços prestados. Já o repasse apura a remuneração dos profissionais conforme as regras estabelecidas. O financeiro registra e acompanha os valores a receber e a pagar decorrentes desses processos.

ProcessoO que precisa controlar
Faturamento de contas médicasServiços realizados, códigos, quantidades, valores, documentos, guias, lotes e retorno das cobranças.
Repasse ao profissionalExecutante, procedimentos considerados, base de cálculo, percentual ou valor fixo, ajustes e período de apuração.
FinanceiroValores a receber e a pagar, vencimentos e efetivação dos recebimentos e pagamentos.

Neste artigo, repasse significa a remuneração devida ao profissional pela clínica. O pagamento da operadora à clínica é outra etapa, que pode influenciar a apuração conforme o acordo adotado.

Para aprofundar os conceitos e as causas das recusas de pagamento, consulte nosso conteúdo sobre faturamento médico e prevenção de glosas.

Como organizar a rotina de faturamento da clínica?

A organização começa no registro do atendimento e exige pontos de conferência durante o processo. Por isso, distribua responsabilidades e estabeleça uma sequência que permita corrigir pendências antes do fechamento.

1. Defina responsáveis e prazos de cada etapa

Registre quem deve cadastrar os dados, lançar os procedimentos, verificar documentos, fechar os lotes e acompanhar os retornos das operadoras.

Além disso, mantenha um calendário por convênio, com prazos de apresentação das contas, pagamento e contestação de glosas, conforme as condições aplicáveis. Inclua datas internas de revisão para que a equipe tenha tempo de corrigir inconsistências.

Uma pendência também precisa de responsável e prazo de solução. Assim, uma autorização ausente ou um lançamento incompleto permanece visível até a regularização.

➕ Veja outras orientações no artigo ”Faturamento de convênios: 10 dicas de como fazer”.

2. Mantenha tabelas e regras de cobrança parametrizadas

Confira os códigos, os valores negociados e as condições de cobrança aplicáveis a cada convênio ou atendimento particular.

Na saúde suplementar, o padrão TISS, definido pela ANS, organiza a troca eletrônica de informações. A TUSS é a terminologia utilizada nesse contexto. Contudo, é importante saber que o código padronizado não determina, por si só, o preço negociado com a operadora.

Quando houver alteração de valores ou condições, registre a vigência e confira quais atendimentos serão afetados. Isso ajuda a evitar que uma atualização seja aplicada indevidamente a contas de períodos anteriores. Contar com um sistema médico que atualize as tabelas automaticamente agiliza as etapas e evita retrabalho.

➕ Leia também: Como calcular procedimentos pela tabela CBHPM.

3. Confira diariamente as contas médicas lançadas

Compare os atendimentos realizados com as contas registradas. Verifique paciente, data, procedimento, quantidade, profissional executante e valor, além dos materiais, medicamentos e demais itens cobrados, quando aplicáveis.

Essa comparação ajuda a identificar atendimentos sem conta, lançamentos duplicados e procedimentos associados ao profissional errado.

Ao encontrar uma divergência, corrija o registro de origem e confira seus efeitos na cobrança e no repasse. Alterar apenas o resultado final pode deixar a causa do problema ativa no sistema.

➕ Aprofunde: Técnicas de faturamento e auditoria de contas médicas.

4. Revise pendências antes de fechar e enviar o faturamento

Antes do envio, confira os documentos e as informações exigidos para os serviços cobrados: autorizações, assinaturas, justificativas, anexos e preenchimento das guias TISS, conforme o caso.

Em seguida, verifique duplicidades, quantidades e correspondência entre a conta, a guia e os dados do arquivo eletrônico.

Defina quais pendências impedem o fechamento e como serão resolvidas. A simples existência de um arquivo XML não comprova que todos os dados da cobrança estejam corretos.

➕ Saiba mais: O que significa guia SADT e qual sua função nos pedidos de exames e procedimentos.

5. Acompanhe o processamento, os pagamentos e as glosas

Após o envio, mantenha os protocolos e acompanhe o processamento. Compare os itens faturados com os demonstrativos disponibilizados pela operadora e os recebimentos registrados.

Quando houver diferença, identifique se decorre de glosa, pagamento parcial, atraso ou outra ocorrência. Para as glosas, registre motivo, valor, prazo de recurso, documentos apresentados e resultado.

Também revise as causas recorrentes. Se o mesmo campo gera pendências em vários lotes, a correção deve alcançar a orientação da equipe ou a configuração utilizada no lançamento.

Como reduzir erros no cálculo dos repasses médicos?

O repasse depende das contas médicas e das regras acordadas com os profissionais. Por isso, sua conferência precisa alcançar os registros que alimentam o cálculo.

Documente a regra e a base de cálculo de cada profissional

Especifique percentual ou valor fixo, procedimentos abrangidos, convênios, período de apuração e condições para disponibilizar o repasse.

Defina também o tratamento de descontos, cancelamentos e ajustes, quando fizerem parte do acordo. Havendo mudança, registre quando a nova regra passa a valer.

Essa documentação permite verificar se a configuração utilizada representa o combinado. 

➕ Para aprofundar o tema, consulte: Como evitar erros no repasse médico.

Diferencie produção, faturamento e recebimento

Um serviço realizado pode ainda não ter sido faturado. Uma conta faturada pode continuar pendente de pagamento ou ter sofrido glosa parcial.

Por isso, a base do repasse deve seguir o acordo com o profissional. Não se deve presumir que todos os modelos utilizem o valor recebido ou o total faturado.

Considere este exemplo hipotético:

InformaçãoValor
Consultas consideradas no período10
Valor por consultaR$ 200
Total faturadoR$ 2.000
Total recebido até a apuraçãoR$ 1.600
Percentual de repasse acordado50%

Se o acordo determinar 50% sobre o faturado, sem outros ajustes, o resultado será R$ 1.000. Se determinar 50% sobre o recebido até aquela apuração, o resultado será R$ 800.

A diferença de R$ 200 decorre da base escolhida. Para concluir se há erro, é necessário conferir a regra acordada. No segundo cenário, os recebimentos posteriores também precisam ser acompanhados para a apuração correspondente.

Confira executante, quantidade e regra aplicada

Antes de concluir a apuração, verifique se cada procedimento pertence ao profissional indicado, se as quantidades estão corretas e se o percentual ou valor fixo corresponde ao acordo.

Além disso, confira se todos os itens elegíveis foram considerados e se algum já foi incluído em um repasse anterior.

Um cálculo matematicamente correto pode produzir um repasse incorreto quando utiliza dados de origem errados. Neste momento, ter um sistema de faturamento médico que realize automaticamente o cálculo do repasse, faz toda a diferença. Falaremos disso mais adiante.

Registre ajustes e apresente um demonstrativo conferível

O demonstrativo deve permitir identificar os procedimentos, a base considerada, a regra aplicada e os ajustes que compõem o total.

Se houver correção após o fechamento, preserve o vínculo com o lançamento original e registre o motivo. Dessa forma, a equipe consegue explicar a diferença e verificar se o ajuste já foi aplicado.

O efeito de uma glosa no repasse também deve respeitar as condições acordadas. A recusa da operadora, isoladamente, não define como a remuneração do profissional será tratada.

Quais controles acompanhar para identificar falhas?

Os controles devem mostrar onde o processo precisa de correção. Uma rotina pode começar com as seguintes comparações:

ControleDivergência que ajuda a identificarProvidência
Atendimentos realizados X contas lançadasServiço sem registro ou conta duplicadaConferir a origem e regularizar o lançamento.
Contas X pendências de fechamentoDocumentação ou informação incompletaDirecionar a correção ao responsável.
Cobranças X retorno das operadorasGlosa, diferença de valor ou conta sem retornoIdentificar o motivo e acompanhar a resolução.
Procedimentos X regras de repasseExecutante, base ou percentual incorretoRevisar cadastro, configuração e cálculo.
Apurações X ajustes anterioresCorreção omitida ou aplicada duas vezesConferir o histórico antes de concluir o período.

Registre a frequência dos problemas para orientar treinamento e ajustes. Se uma divergência se repete, investigue a etapa que a produz.

Como a automação ajuda a organizar o faturamento e os repasses?

Um bom software médico pode reduzir redigitação, aplicar regras configuradas e facilitar a identificação de pendências. Para avaliar sua utilidade, observe como os dados percorrem o caminho entre atendimento, conta médica, cobrança e repasse.

Numa demonstração, peça que sejam executadas tarefas da sua rotina: lançar um procedimento, conferir uma pendência e calcular um repasse. Verifique se a equipe consegue localizar a origem dos valores e entender as regras aplicadas.

Também avalie a possibilidade de revisar configurações e consultar relatórios. A automação depende de lançamentos corretos, parametrização adequada e equipe capacitada.

A experiência da Dermafoco com o ProDoctor ajuda a dimensionar o ganho de tempo possível em uma tarefa específica. Em depoimento, a administradora Tereza Ito relatou que o preenchimento das guias TISS ocupava um dia inteiro das secretárias. Com a geração automática pelo ProDoctor, o trabalho passou a levar cerca de 30 minutos, segundo o relato da clínica.

➕ Veja também o que médicos podem automatizar na clínica e quais são os limites da tecnologia.

Como o ProDoctor organiza o faturamento e os repasses?

O Faturamento e Repasse do ProDoctor reúne recursos para executar e conferir essas etapas dentro do sistema:

Necessidade da clínicaRecurso do ProDoctor
Preparar e enviar cobrançasGeração, impressão e envio de XML no padrão TISS e encaminhamento de guias assinadas.
Revisar pendênciasBloqueio automático do fechamento enquanto houver pendências configuradas.
Parametrizar cobrançasValores de procedimentos configuráveis e lançamento automático das despesas associadas na guia de Outras Despesas.
Calcular repassesRegras por convênio, usuário, procedimento ou grupo, com valor monetário e/ou percentual.
Acompanhar glosasControle de recusadas, recuperadas e histórico de negociações.

O Faturamento é integrado ao Repasse, Financeiro e Estoque, conforme o escopo contratado.

Compare as soluções e veja qual se adequa à rotina da sua clínica. O ProDoctor Cloud possui faturamento TISS básico. O ProDoctor Cloud +Clínica, o ProDoctor Cloud +Corp incluem faturamento TISS avançado, repasse e controle de glosas. O estoque avançado está disponível no ProDoctor Cloud +Corp e no ProDoctor Corp.

➕ Continue a leitura: Como melhorar o faturamento com o ProDoctor.

Perguntas frequentes sobre faturamento e repasse médico

O repasse médico deve ser calculado sobre o faturado ou o recebido?

Depende do acordo com o profissional. A clínica deve documentar a base, o percentual ou valor fixo e as condições de apuração. Utilizar uma base diferente da acordada pode gerar divergências mesmo quando a fórmula está correta.

Como tratar uma glosa na apuração do repasse?

Identifique a conta e o procedimento afetados, acompanhe a contestação cabível e confira o tratamento previsto no acordo com o profissional. Eventuais ajustes devem ser registrados e rastreáveis, inclusive quando houver recuperação posterior do valor.

O que conferir quando o profissional identifica uma divergência?

Verifique período, procedimentos, quantidades, executante, valores de referência, base de cálculo, regra aplicada e ajustes anteriores. A conferência deve permitir reconstruir como o total foi apurado.

Automatizar o cálculo dispensa a conferência das contas médicas?

Não. O sistema calcula a partir dos dados e das regras configuradas. Um executante incorreto, uma quantidade duplicada ou um percentual inadequado pode alterar o repasse. A conferência dos registros continua necessária.

Quer avaliar como organizar esses processos na sua clínica? Solicite uma demonstração do ProDoctor e apresente sua rotina de faturamento e as regras de repasse utilizadas pela equipe.

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