Tecnologia na Medicina

Retrospectiva da saúde 2019

Retrospectiva medicina e saúde 2019

O ano está chegando ao fim e nós, da ProDoctor Software S/A, fizemos a Retrospectiva Medicina e Saúde 2019. Serão dois posts com tudo de mais importante que aconteceu no último ano no mundo da Medicina e da Ciência.

A partir de agora você irá conferir as novidades, marcos e principais descobertas que movimentaram o calendário médico de 2019.

Retrospectiva medicina e saúde 2019

Inalação com moléculas de RNA no tratamento da fibrose cística

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, descobrem uma nova forma inalada de RNA mensageiro (mRNA) que pode funcionar para o tratamento da fibrose cística. Os testes foram realizados em camundongos. Os cientistas criaram uma molécula de mRNA com instruções para produzir uma proteína chamada luciferase, que é bioluminescente. Em seguida, misturaram o mRNA no vapor e fizeram os animais respirá-lo, com seus pulmões absorvendo o mRNA, e os ribossomos passando a produzir a proteína luciferase.

Vinte e quatro horas após a administração do mRNA via nebulização, as moléculas atingiram os pulmões inteiros e entraram principalmente nas células epiteliais, que revestem as superfícies dos pulmões e estão envolvidas com a fibrose cística e outras doenças pulmonares. Além disso, os dados revelaram que a utilização pelo inalador pode ser possível no futuro, em vez de um nebulizador, o que tornaria o uso mais fácil para os pacientes.

Inteligência artificial pode melhorar a vida de milhões de pessoas

Cega, a professora universitária e de tecnologia assistiva na Universidade de Taubaté (SP), Luciane Molina, trabalha para trazer mais inclusão à Educação. Segundo ela, “a Inteligência Artificial revolucionou não só a minha vida como as dos meus alunos. Quanto mais usamos os recursos para pessoas com deficiência, melhores eles ficam.

Entre os aplicativos que usa estão o TapTapSee, para ler rótulos de produtos, e o Seeing AI (app da Microsoft que usa visão computacional e redes neurais para identificar objetos, cores, textos, cenas e até mesmo características físicas e expressões faciais de uma pessoa) a fim de organizar documentos e diplomas em pastas e reconhecer os textos das fotos que recebe por e-mail ou redes sociais como o Facebook.

Retrospectiva medicina e saúde 2019

Anvisa aprova novo tratamento para o câncer de mama

No dia 26, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou novo tratamento para o câncer de mama em estágio inicial HER2+. Os estudos comprovaram a eficácia e a segurança do pertuzumabe. O aval da Anvisa teve como base os resultados do estudo de fase III APHINITY, que comprovaram eficácia e segurança da droga combinada com o Herceptin® (trastuzumabe) e quimioterapia.

A notícia traz uma inédita perspectiva de tratamento, em um momento no qual o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou para o Brasil mais de 59.700 casos novos de câncer de mama, para cada ano do biênio 2018-2019, com um risco estimado de 56,33 casos a cada 100 mil. O câncer HER2+ é responsável por cerca de 20% dos diagnósticos e conhecido como um dos cânceres que tendem a crescer e se disseminar mais rapidamente do que os outros tipos de tumores de mama.

Próteses do futuro nos joelhos

No dia 14 de fevereiro, o empresário Jorge Paulo Lemann fez uma artroplastia total de joelhos. Com este procedimento, as estruturas articulares do fêmur e da tíbia foram substituídas por um implante de metal feito com liga de titânio.

Ex-tenista da Seleção Brasileira, colocou as “próteses do futuro” na Suíça, durante uma cirurgia complexa em que recebeu as próteses metálicas e personalizadas. Foi o primeiro brasileiro a implantar tais próteses sob medida, com técnica inovadora e minimamente invasiva.

Entretanto, o empreendedor estava receoso. “Eu tive medo, claro, mas conversei com pessoas que haviam feito essa cirurgia antes e estavam muito bem”, afirmou Lemann. Conforme relembrou, “tinha fortes dores nos joelhos e não conseguia passar mais de dez minutos em quadra. Era necessário”.

Há 40 anos, ele operou os meniscos, tecido responsável por absorver os impactos nos joelhos.

Retrospectiva medicina e saúde 2019

Interstício, o “novo órgão” do corpo humano

Na realidade, ele sempre existiu, mas uma equipe de patologistas da Escola de Medicina da Universidade de Nova Iorque (EUA) anunciou a descoberta do interstício, “novo órgão” do corpo humano. Os resultados foram publicados na revista “Scientific Reports”.

O interstício somente foi “descoberto” com a utilização de uma tecnologia mais avançada e consiste em um espaço repleto de cavidades preenchidas por líquido, presente entre os tecidos do nosso corpo, daí sua denominação “intersticial”. É uma rede de cavidades de colágeno e elastina, cheia de líquido e que reuniria mais de um quinto de todo o fluído do organismo.

Dessa forma, pode ser um dos maiores órgãos do corpo humano, assim como a pele. Anteriormente, o pensamento era de que essas camadas intersticiais fossem formadas por um tecido conjuntivo denso e sólido. Localizados debaixo da pele, o interstício recobre o tubo digestivo, os pulmões e o sistema urinário, rodeiam as artérias, veias e fáscia (estrutura fibrosa onde se fixam músculos).

Ou seja, são uma estrutura que se estende por todo o corpo. Para os cientistas, esta estrutura anatômica pode ser importante para explicar a metástase do câncer, o edema, a fibrose e o funcionamento mecânico de tecidos e órgãos do corpo humano.

Anvisa aprova nova tecnologia para próteses mamárias

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova tecnologia para as próteses mamárias. Trata-se de um microchip de 4 mm que protegerá as informações de cirurgias por até 20 anos. Finalmente, o novo recurso chegou ao Brasil, uma vez que já é utilizado em vários países, como, por exemplo, Inglaterra, Itália, França, Japão e Austrália. Além disso, na América do Sul, é usado na Argentina.

A nova tecnologia promete maior segurança e o dispositivo fica dentro da prótese. Dessa forma, permite a rastreabilidade de várias informações, uma vez que armazena dados como o número de série do implante, a data da fabricação, lote, tamanho, volume e modelo, além do dia em que foi colocado na paciente.

Depois da cirurgia, as informações são acessadas por meio de radiofrequência, com um leitor externo. Dessa maneira, basta aproximá-lo da mama da paciente e os dados aparecem em uma tela no próprio aparelho.

Com isso, o cirurgião terá maior controle do de cada paciente, podendo se planejar para renovar a prótese, ainda que 20 anos depois do primeiro procedimento. A previsão é de que sejam incorporados novas informações nos microchips. Além disso, com várias pesquisas em curso, será possível, por exemplo, saber se a prótese está íntegra ou rompida.

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Cápsula inovadora aplica insulina sem causar dor

De novo, os pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos! Em artigo publicado na revista “Science”, anunciaram o desenvolvimento de uma cápsula inteligente que aplica insulina sem causar dor. Uma notícia animadora para o controle do diabetes. A equipe do MIT testou cápsulas que contêm uma miniagulha junto a uma pequena dose de insulina.

Funciona dessa maneira: quando o indivíduo com diabetes ingere a cápsula em jejum, ela se gruda à parede do estômago e, automaticamente, aplica a injeção de insulina. A microagulha perfura menos de 4 milímetros do órgão, liberando o hormônio ali.

Segundo os pesquisadores, esse processo não provoca dor ou qualquer desconforto e também não altera o apetite. Além disso, a temperatura típica do abdômen tampouco interfere na viabilidade da insulina aplicada.

Retrospectiva medicina e saúde 2019

EUA têm primeiro medicamento 3 em 1 contra o diabetes

Nas farmácias americanas, a novidade anunciada é a aprovação de um único produto para combater o diabetes, composto de um trio de primeira linha de princípios ativos que atuam no controle da glicose.

A solução reúne:

1 – Metformina XR – Fármaco que reduz a resistência à insulina, ou seja, melhora a ação do hormônio nas células do organismo. Com isso, mais glicose é aproveitada pelo corpo e não sobra na circulação.

2 – Dapaglifozina – Substância que faz com que o excesso de açúcar no sangue seja eliminado pela urina. Segundo os estudos, diminui a glicose, o peso e a pressão arterial.

3 – Saxagliptina – Modula a produção de dois hormônios de função oposta, a insulina e o glucagon, conforme a carga de glicose no sangue).

O 3 em 1 corrige vários daqueles “defeitos” por trás do diabetes tipo 2. Assim, o tratamento consegue promover maior redução nos níveis de glicose, por mais tempo.

Além disso, oferece um baixo risco de hipoglicemia. Sua aprovação está cercada pela segurança que proporciona para o organismo, inclusive para o sistema cardiovascular.

Remédio para psoríase pode ser reaplicado a cada 3 meses

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou um novo medicamento para os casos moderados e graves da doença. O risanquizumabe, da farmacêutica AbbVie, apresenta como vantagens a administração trimestral após as duas primeiras doses e a possibilidade de ser aplicado em casa.

Injetável, o medicamento deve ser administrado por via subcutânea. Em seguida, são quatro semanas até o paciente receber a segunda dose. Então, começa a fase da manutenção, em que o remédio é usado a cada três meses.

A aprovação baseou-se em estudos clínicos que indicaram que mais de 80% dos pacientes atingiram resposta sustentada das lesões na pele. Além disso, aproximadamente 60% alcançaram melhora completa das lesões ao longo de 52 semanas de tratamento.

A psoríase é uma doença crônica que afeta cerca de 125 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, atinge aproximadamente 3 a 5 milhões. Muitos pacientes não atingem as metas de tratamento ou perdem a resposta ao tratamento com o passar do tempo.

Identificados primeiros sinais de Parkinson no cérebro

Entre 15 e 20 anos antes dos sintomas iniciais da Doença de Parkinson surgirem. Este é o resultado obtido por pesquisadores do King’s College London ao analisarem os cérebros de 14 pessoas de vilarejos remotos no sul da Grécia e na Itália, todos com mutações raras no gene SNCA, o que torna quase certo que desenvolvam a doença.

Metade desse grupo já havia sido diagnosticado com Parkinson, enquanto a outra metade ainda não apresentava nenhum sintoma.

Assim, foram considerados candidatos ideais para estudar como a doença se desenvolve. Ao comparar o cérebro deste grupo com o de outros 65 pacientes com Parkinson e 25 voluntários saudáveis, os pesquisadores conseguiram identificar mudanças cerebrais precoces em pacientes na faixa de 20 e 30 anos.

Foram registradas disfunções no sistema da serotonina, substância química que tem muitas funções no cérebro, incluindo a regulação do humor, apetite, cognição, bem-estar e movimento.

Com a descoberta, os cientistas esperam ter em mãos novas ferramentas de monitoramento e tratamentos. Entretanto, especialistas advertem ser preciso realizar estudos mais amplos antes, além de tornar os exames mais acessíveis. Tradicionalmente, acredita-se que a doença esteja ligada a uma substância química chamada dopamina, em falta nos cérebros de pacientes com a doença.

Porém, os pesquisadores do King’s College escreveram, em artigo publicado na revista “Lancet Neurology”, que as mudanças nos níveis de serotonina no cérebro acontecem primeiro, podendo agir como um sinal de alerta precoce.

O Mal de Parkinson é uma condição neurológica degenerativa progressiva que afeta cerca de 200 mil pessoas no Brasil. Dentre seus principais sintomas estão, por exemplo, os tremores, movimentos involuntários e rigidez. Além disso, também são comuns a depressão, problemas de sono e de memória.

S.O.S. Alexa pode salvar vidas

A demora no primeiro socorro imediato pode ser fatal em paradas cardíacas. Mas, pesquisadores da Universidade de Washington (EUA) encontraram uma solução criativa que poderá ajudar a salvar vidas em um ambiente de desamparo doméstico. Eles buscaram ajuda na tecnologia, especificamente nas assistentes virtuais, como por exemplo a Alexa, da Amazon, ou o Google Home.

Eles perceberam a importância dos alto-falantes inteligentes no cotidiano das pessoas e da utilização do comando de voz. Desse modo, debruçaram sobre a tarefa para detectar o som agonizante emitido instantes antes de uma parada cardíaca.

O objetivo, então, era criar um algoritmo capaz de reconhecer com exatidão o ruído chamado pelos médicos de respiração agônica, o último suspiro de quem está à beira da morte e que ainda procura desesperadamente pelo ar. Em seguida, viria o pedido de socorro.

Os cientistas coletaram 162 chamadas para o serviço de emergência 911 (o 190 dos EUA) de Seattle, emitidas por pessoas prestes a sofrer uma parada cardíaca.

Evitando chamadas falsas

Depois que armazenaram os dados, recortaram 236 trechos de 2,5 segundos de áudio que captam o início de respirações agônicas. Entretanto, era preciso evitar as falsas chamadas. Então, retrabalharam as amostras sonoras em milhares de recortes, incluindo sons comuns em uma casa, como roncos e barulhos de respiração, além dos ruídos de cães e gatos, carros e do ar-condicionado. Simularam inúmeras horas de áudio, como se o paciente estivesse em pontos diferentes do ambiente.

Como resultado, detectaram o som da respiração agônica 97% das vezes, com o aparelho que emitia o som posicionado a até seis metros de distância do alto-falante inteligente. E o sistema revelou-se confiável, uma vez que a taxa de falso positivo manteve-se baixa, em apenas 0,14%. Os resultados foram divulgados no periódico “npj Digital Medicine”.

As paradas cardíacas são uma das principais causas de morte no Brasil. Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, ocorrem 720 casos por dia no País, totalizando 300 mil a cada ano. Em todo o planeta, os números alcançam 17,5 milhões de casos anuais.

Vosoritide promete melhorar qualidade de vida de crianças

Em todo o mundo, 35 crianças participam de testes com um medicamento experimental destinado a estimular o crescimento saudável daquelas nascidas com nanismo. Esta é uma condição em que a pessoa tem estatura mais baixa do que o padrão para sua idade e sexo.

O vosoritide é aplicado em uma injeção diária. Ele bloqueia o sinal controlado pelo gene defeituoso FGFR3, que prejudica o crescimento ósseo em crianças com acondroplasia. O experimento é patrocinado pela BioMarin, que produz o remédio e, conforme os pesquisadores envolvidos no projeto, os resultados preliminares são promissores

Eles foram publicados no prestigiado “New England Journal of Medicine”. Os cientistas afirmam que os objetivos não visam apenas a aumentar a altura das crianças, mas também fazer com que sua saúde melhore como um todo. Dessa forma poderá, por exemplo, algumas das complicações ligadas ao crescimento atrofiado.

Medicamento seguro

Além disso, ressaltam quee a preocupação principal do projeto é, desde o início, mapear eventuais efeitos adversos ou colaterais graves. Como resultado, os sinais têm mostrado que o medicamento é seguro o suficiente para os pacientes tomarem.

Um objetivo secundário, segundo representantes do projeto, era ver o quanto as crianças cresceriam. Em média, eles cresceram em um ritmo mais rápido do que nos 12 meses anteriores ao início do tratamento.
Os pesquisadores do Instituto Murdoch de Pesquisa Infantil de Melbourne e seus colegas do Hospital Infantil Evelina London, além de outros institutos de pesquisa na França e nos Estados Unidos, passaram à fase de testes. A expectativa é de que, dentro de alguns anos, o tratamento possa ser disponibilizado ao público, se acaso for realmente eficaz.

Metade do ano passou voando, mas o segundo semestre não ficou muito atrás. Nosso próximo post abordará os acontecimentos mais importantes da segunda metade de 2019.

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