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Existe um tempo ideal para consulta médica?

Existe um tempo ideal para consulta médica?


Não existe no Brasil uma regulamentação acerca do tempo que deve durar uma consulta médica. As reclamações, maiores na rede pública de saúde, também já chegaram aos hospitais, clínicas e consultórios particulares. Além da demora para serem atendidos, os pacientes também reclamam da qualidade e do pouco tempo que dispõem para relatar ao profissional seus sintomas e suas queixas, muitas vezes indo para casa com dúvidas sobre o diagnóstico e a prescrição médica. É importante destacar que o bom andamento de uma consulta depende muito do estabelecimento de uma relação de confiança entre as partes.


Será que em 15 minutos o médico consegue ouvir o histórico de uma enfermidade, analisar exames, conversar com o paciente e examiná-lo, para depois solicitar exames e repassar-lhe uma receita, explicando bem como tomar os remédios e nos horários indicados? A questão do tempo incomoda e as consultas realizadas a toque de caixa têm contribuído, não só no Brasil, para o aumento das estatísticas judiciais nos casos de erros cometidos pelos médicos. O Manual de Auditoria de Atenção Básica do Ministério da Saúde considera os 15 minutos como referência de produtividade na rede pública. Seriam um "privilégio"?


Consenso: 25 minutos


Acima de qualquer dificuldade deve prevalecer a ética. É a partir desse princípio que muitos e bons médicos consideram 25 minutos um tempo ideal para se fazer uma boa consulta, embora ninguém se arrisque a colocar isto em um contrato.


Não pode ser cláusula pétrea, mas também não se pode fechar os olhos para a importância de o médico agir com correção, procurando, mediante o histórico, fazer uma avaliação criteriosa do paciente e as hipóteses de diagnóstico, para que as orientações terapêuticas e prescrições não incorram em erros futuros. Que podem gerar tanto danos irreparáveis para os pacientes, como também ações na Justiça, manchando a carreira do profissional.


A pressa e a pressão


Conforme dados veiculados pela Organização Mundial da Saúde(OMS), no Brasil, 50% dos remédios comercializados são prescritos, dispensados ou usados de maneira errada. O tempo exíguo, principalmente no sistema de saúde pública, além de potencializar erros, pode ainda transformar o profissional em um emissor de receitas.


Pior ainda, mal visto, como um médico que sempre apresenta para os pacientes os mesmos diagnósticos e receita os mesmos remédios. Ou diagnosticar errado e prescrever de forma equivocada. Insatisfeito com a rapidez de uma consulta, o paciente leva para casa as suas dúvidas e, tanto pode trocar medicamentos quanto se submeter a exames que foram solicitados sem que houvesse uma necessidade real.


Mesmo na esfera particular, o problema se repete, uma vez que muitos médicos praticam uma verdadeira maratona atendendo em diferentes estabelecimentos de saúde. Correm de um hospital público ou conveniado para outro, realizam cirurgias em outros e… ainda têm que correr para atender em seu consultório. Além dos atrasos que deixam as salas de recepção lotadas, sabem que precisam ser rápidos, pois a secretária já deu o aviso de que “hoje a agenda está cheia”. E quem pode pagar por isto é o paciente.


E o paciente?


O paciente pode colaborar bastante para que a consulta seja tranquila e satisfatória. A seguir, enumeramos algumas orientações que a secretária pode dar ao paciente antes do início da consulta:



  • Relembrar o início dos sintomas e anotar tudo que esteja sentindo.

  • Listar os remédios que tomou e os exames realizados.

  • Separar os exames para que o médico os veja.

  • Anotar todas as dúvidas e, durante a consulta, as respostas.

  • Não perder o horário da consulta. Conforme a distância que terá que percorrer, programe-se: pense no tempo que gastará com o deslocamento para que chegue de 15 a 30 minutos antes da hora agendada.

  • Se tiver um contratempo e não puder irá consulta, avisar à secretária a tempo, para que remarque e ela possa remanejar sua agenda, abrindo vaga para outro paciente naquele que seria o seu horário.

  • Caso tenha algum tipo de limitação ou restrição física, avise antes à recepcionista.

  • Ao sair do consultório, agende o retorno, conforme a orientação do seu médico. E fique atento caso tenha que realizar exames, pois precisará considerar o tempo de ficarem prontos.


Conclusão


Só você é capaz de definir o tempo necessário para que possa realizar uma consulta de qualidade. Se perceber que elas estão demorando mais do que o esperado, gerando atrasos e reclamações, aumente o intervalo entre elas. É muito melhor perder em quantidade ao invés de qualidade.




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