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Consumo de antibióticos tem alta de 65% no mundo


O consumo global de antibióticos cresceu 65% entre 2000 e 2015, impulsionado pelo uso explosivo em países de renda média e baixa. O estudo publicado dia 23/03/2018 na revista americana Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS) revelou que, nos 76 países estudados, a absorção de antibióticos aumentou de 21,1 bilhões de doses diárias, em 2000, para 34,8 bilhões, em 2015.


Correlacionado com a alta do Produto Interno Bruto (PIB), o nível de consumo de antibióticos aumentou particularmente em países de renda média e baixa: + 114% em 16 anos, chegando a 24,5 bilhões de doses diárias determinadas.


De açodo com o pesquisador do Center for Disease Dynamics, Economics & Policy e um dos autores do estudo, Eili Klein, o crescimento significa “um melhor acesso aos medicamentos necessários em países com muitas doenças que podem ser tratadas com eficácia com antibióticos”.


Por outro lado, com o maior acesso a esses fármacos, as taxas de consumo aumentam, levando a taxas mais altas de resistência a antibióticos. A resistência bacteriana é responsável por 700 mil mortes por ano em todo o mundo.


77% de aumento


O consumo é menor em países de alta renda, com 10,3 bilhões de doses diárias. E, entre 2000 e 2015, o aumento foi de somente 6%. A taxa de consumo por mil habitantes e por ano continua maior em países de alta renda. Porém, em 16 anos, a taxa aumentou em 77% para os países de renda média e baixa, enquanto diminuiu 4% em países ricos.


Alguns países LMIC ultrapassaram a taxa de consumo de antibióticos de países de alta renda.


Em 2015, Turquia, Tunísia, Argélia e Romênia estavam entre os seis países com as maiores taxas de uso de antibióticos, enquanto em 2000 os cinco principais países eram de alta renda.


Outro exemplo, em 16 anos, o consumo de antibióticos dobrou na Índia, aumentou 79% na China, e 65%, no Paquistão. Esses três países são os maiores usuários de antibióticos entre os países LMIC.


No sentido contrário, o aumento foi marginal nos três países líderes do consumo em nações de alta renda, Estados Unidos, França e Itália, explica o estudo.


Saúde da humanidade


Os pesquisadores alertam para o futuro: “As projeções de consumo global de antibióticos em 2030, presumindo nenhuma mudança política, são até 200% superior aos 42 bilhões de doses diárias em 2015”.


“Eliminar esta utilização inútil (de antibióticos) deve ser uma primeira etapa e uma prioridade para cada país”, disse Eili Klein à AFP.


Cerca de “30% da utilização nos países de alta renda é inadequada”, ressaltam, acrescentando que o consumo considerável de antibióticos em alguns países LMIC sugere igualmente que um uso inapropriado é real.


A resistência aos antibióticos poderia causar dez milhões de mortes por ano até 2050, aponta um estudo britânico recente.


Fonte: Exame




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