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Desafios na Medicina para 2018

Desafios na Medicina para 2018


Mesmo com todas as pesquisas, descobertas e avanços científicos registrados nos últimos anos, em velocidade exponencial, alguns problemas permanecem como desafios para a Medicina. A seguir, abordamos dois deles.


1 – Escassez de novos antibióticos


Escassez de novos antibióticos para Superbactérias


A OMS fez um sério alerta acerca do fenômeno das superbactérias, cuja ameaça à saúde pública global se tornou patente com a resistência cada vez maior desses micro-organismos à grande maioria dos antibióticos.


Em setembro passado, o diretor-geral da entidade Adhanom Ghebreyesus alertou que “a resistência antimicrobiana é uma emergência de saúde global”.


Segundo ele, “há uma necessidade urgente de um maior investimento em pesquisa e desenvolvimento de antibióticos. Do contrário, voltaremos ao passado, quando as pessoas temiam infecções comuns e a vida estava em risco até em simples cirurgias”. Para a OMS, é preciso redobrar os investimentos diante desta “crescente ameaça” à saúde mundial.


Tuberculose


Ao analisar apenas a incidência da tuberculose (Bacilo de Koch), cuja forma resistente mata 250 mil pessoas a cada ano em todo o mundo, a OMS enfatiza que é preciso investir mais de 800 milhões de dólares anuais para permitir o desenvolvimento de novos medicamentos contra a moléstia.


Antibióticos em animais saudáveis


Além disso, dentre as recomendações para conter o avanço desses micro-organismos, exortou que antibióticos não sejam usados em animais saudáveis, destacando que o fenômeno contribui para que as superbactérias sejam transmitidas para os seres humanos através da alimentação ou por outras vias de transmissão.


Lista de superbactérias


Em um ato inédito, a OMS relacionou uma lista de superbactérias que são resistentes aos antibióticos e que, por isto mesmo, devem ser o alvo prioritário nas pesquisas por novos remédios contra micróbios.


O documento da entidade faz um apelo diretos aos governos para que implementem políticas de incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento de remédios, seja através de agências financiadas pelo setor público ou da iniciativa privada.


As superbactérias foram selecionadas dentre outros critérios, conforme: o grau de severidade das infecções que provocam, a facilidade com que se propagam e quantos antibióticos eficazes restam para combatê-las.


Elas foram divididas em três categorias:


Prioridade 1: CRÍTICO



  1. Acinetobacter baumannii – infecções hospitalares em geral

  2. Pseudomonas aeruginosa – infecções hospitalares em geral

  3. Enterobacteriaceae – infecções hospitalares em geral


Prioridade 2: ALTO



  1. Enterococcus faecium – infecções hospitalares em geral

  2. Staphylococcus aureus – infecções cutâneas e sanguíneas, pneumonia

  3. Helicobacter pylori – úlceras no estômago e câncer

  4. Campylobacter spp. – diarreia

  5. Salmonellae – diarreia

  6. Neisseria gonorrhoeae – gonorreia


Prioridade 3: MÉDIO



  1. Streptococcus pneumoniae – pneumonia

  2. Haemophilus influenzae meningite, pneumonia em crianças, infecções sanguíneas

  3. Shigella spp. – diarreia


Mais pesquisas


A escassez de pesquisas para formulação tanto de antibióticos utilizados em hospitais quanto para os medicamentos orais é vista com grande preocupação.


Para a diretora do departamento de Medicamentos Essenciais da OMS, Suzanne Hill, “as companhias farmacêuticas e os pesquisadores devem se focar, urgentemente, em novos antibióticos contra certos tipos de infecções extremamente sérias, que podem matar os pacientes em questão de dias, porque não temos linha de defesa contra eles”.


2 – Permanecem mistérios sobre a zika


Desafios na Medicina 2018 - Permanecem mistérios sobre a zika


Inúmeras interrogações ainda precisam ser esclarecidas acerca do vírus da zika.


Brasil e Nordeste


A alta incidência de má-formação congênita em fetos no País é desafiadora, com os casos de microcefalia sendo, aparentemente, muito mais numerosos do que em outros países afetados pela epidemia de zika. O tema esteve no centro dos debates durante o 4º Encontro do Comitê Emergencial da OMS, realizado no ano passado em Genebra (Suíça).


Até o momento, das inúmeras teorias levantadas, nenhuma foi conclusiva para justificar a razão dos altos índices de microcefalia observados particularmente no Brasil. Conforme o Boletim Epidemiológico da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), até agosto foram confirmados 1.845 casos de bebês nascidos com más-formações no País, em uma população de 206 milhões.


Outra questão que mais intriga é o fato do Nordeste registrar, desde o começo da epidemia, em 2016, o maior número de casos no Brasil.


Colômbia


A Colômbia foi o segundo país a registrar maior incidência de más-formações congênitas, registrando 29 casos em uma população de 47 milhões. Se a população brasileira é aproximadamente 4,3 vezes maior do que a colombiana, a incidência de casos confirmados de más-formações é 63 vezes maior.


A argumentação de que os surtos haviam começado anteriormente no Brasil e de que depois se alastrariam pela América Latina em mera questão de tempo, com a microcefalia alcançando índices altos números na região como um todo, acabou caindo por terra. O Brasil permaneceu no topo da triste e indesejável.


Explicações


O médico David Heymann, diretor do Comitê, o mistério precisa ser desvendado através da intensificação dos estudos que buscam explicações em várias direções, indo além das causas já especuladas.


Segundo ele, “há enormes variações e precisamos responder à pergunta: isso ocorreu simplesmente porque o vírus atingiu a população em um outro momento, e há apenas um lapso de tempo? Estamos apenas aguardando que as complicações apareçam? Ou outros fatores contribuem fazendo com que, em uma parte do mundo, a doença resulte em maiores complicações do que em outra?


Investimentos e outras questões


A comunidade científica debruça-se sobre os mistérios, certos de que é preciso um tratamento eficaz para tentar conter o avanço do vírus da zika após infecção - principalmente em se tratando de mulheres gestantes.


Para o virologista Paolo Zanotto, da Universidade de São Paulo (USP), a desproporcionalidade de casos nos Brasil exige que o fenômeno seja pesquisado e compreendido de uma forma global. Seu entendimento é de que o lapso do tempo, desde o início da epidemia, e o nível de prevalência do vírus seriam os parâmetros corretos para essa aferição.


Os cientistas têm pela frente desafios imensos, indo além da definição acerca dos cofatores que impactaram a má-formação dos bebês, para mensurar a interação entre eles, uma vez que possam ocorrer de forma simultânea.


Muitas dúvidas


Além disso, os investimentos em uma vacina eficaz deve continuar, já se precavendo, pois uma vacina da dengue disponível acabou por deflagrar a doença em alguns pacientes que não tinham entrado em contato com o vírus.


É necessário também avaliar a influência exata do pernilongo culex na transmissão e as questões envolvendo infecções cruzadas e produções de anticorpos.




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