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5 perguntas que os médicos precisam saber responder


O estreitamento das relações entre o médico e o paciente proporciona benefícios mútuos e baseia-se em uma comunicação de mão dupla, firmada na sinceridade, na transparência e na confiança. A partir de 2012 algumas iniciativas internacionais foram desencadeadas visando a obtenção de melhorias no relacionamento. O médico deve estar aberto para esta atitude, enquanto o paciente pode se sentir à vontade, demonstrando sua possível insatisfação quando não for atendido conforme esperava.


Resultante da campanha “Choosing Wisely”, 17 sociedades médicas internacionais divulgaram uma extensa lista de exames com procedimentos considerados desnecessários, mas que geralmente são realizados em pacientes que não apresentam sintomas. Seu objetivo é disponibilizar informações ao público, evitando gastos com exames e tratamentos a cada dia mais onerosos, melhorando a relação entre o dinheiro dispendido e os benefícios alcançados com a assistência médica.


“Escolher Sabiamente”


Conhecida em português como “Escolher Sabiamente”, a iniciativa foi lançada pela fundação American Board of International Medicine (Abin) dos Estados Unidos e, no ano passado, foi encampada pelo Reino Unido. Foram relacionadas aproximadamente 90 ações, seguindo-se alguns exemplos:


A American Academy of Family Physicians descartou a realização de eletrocardiogramas anuais, assim como de quaisquer outros exames cardíacos em pacientes de baixo risco e que não apresentam sintomas. A instituição destacou que a alta taxa de exames falso positivos podem levar a procedimentos invasivos desnecessários, acarretando em mais prejuízos do que benefícios para estas pessoas.


A American Academy of Family Physicians também desconsidera a realização de ecodoppler de carótidas em pessoas que não apresentam sintomas cerebrovasculares. Seu argumento é de que o procedimento, efetuado sem necessidade neste perfil de paciente, potencializa o risco de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).


Outra importante advertência é da American Geriatrics Society, abordando o controle glicêmico excessivo em pessoas diabéticas acima de 65 anos. Segundo a entidade, não há evidência de que atingir valores de hemoglobina glicada menores que 7,5% produzam maiores benefícios para prevenir, principalmente, as doenças vasculares. Além disso, ressalta que o risco de hipoglicemia cresce, sendo perigoso para pacientes de idade avançada.


Já a American Gastroenterological Association não recomenda a utilização de qualquer método de rastreamento de câncer de intestino grosso durante um período de 10 (dez) anos, caso uma colonoscopia bem-sucedida apresentar resultados negativos. Em seu parecer, a instituição assegura que na população, em geral, o aparecimento da moléstia neste caso é improvável.


Por fim, o alerta da American Society of Nephrology destina-se aos pacientes portadores de pressão alta, quadro de insuficiência cardíaca ou de insuficiência renal crônica. A recomendação é para se evitar o uso de anti-inflamatórios não-esteroides, que aumentam a pressão arterial, causam retenção de líquido e pioram as funções do rim.


Perguntas


Ao abraçar a campanha, o Reino Unido elaborou um Guia com cinco questões básicas para que os pacientes as endereçam aos médicos antes de se iniciar uma terapia:


1- Eu realmente preciso fazer isto?


2- Quais são os riscos ou desvantagens?


3- Quais são os possíveis efeitos colaterais?


4- Existem opções mais simples ou seguras?


5- O que acontecerá se eu não fizer nada?


Diálogo franco


A partir daí, o médico poderá elaborar um diagnóstico ou encaminhar o paciente para um especialista. Também poderá ter acesso a informações sobre a origem das queixas do paciente e traçar um histórico sobre a progressão da enfermidade. E, ainda, estabelecer uma comunicação transparente acerca das opções de tratamento, com o profissional descrevendo o que poderá acontecer caso o paciente aprove e consinta em seguir a terapia proposta.




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