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Exigência do jejum de 12 horas começa a ser revisto


A palavra final ainda é dos médicos e dos laboratórios, mas aos poucos, no Brasil, começa a mudar a recomendação de períodos longos de jejum para a realização de alguns tipos de exame de sangue. O fim do jejum de 12 horas foi um dos principais assuntos discutidos em um congresso da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial no Rio de Janeiro, ano passado. Além desta, outras instituições de peso já se posicionam oficialmente, validando a não obrigatoriedade, como a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Análises Clínicas.


Os estudos também têm comprovado a importância de se fazer o diagnóstico dos pacientes que têm níveis de colesterol e triglicerídeos altos depois que eles se alimentam, uma vez que, em jejum, tais resultados seriam alterados.


Na realidade, os debates em torno da questão estão na esteira de uma tendência que é mundial e sob uma argumentação bastante simples. A evolução tecnológica sustenta o discurso, pois as máquinas utilizadas hoje são ultramodernas, realizando as análises praticamente sozinhas, com uma interferência de resultado mínima no fato do paciente ter ou não comido algum alimento pouco antes de tirar o sangue. Trata-se da evolução de uma determinação de jejum muito antiga, ainda da década de 70, quando a tecnologia era muito mais atrasada.


Assim, em breve, os laboratórios poderão coletar amostras sanguíneas para as chamadas lipoproteínas (colesterol total, HDL-c, LDL-c e triglicerídeos), independentemente do fato do paciente ter se alimentado previamente ou não. Como se trata de um fato relativamente novo em termos de literatura médica, muitos médicos poderão achar que ainda não chegou a hora de liberar o jejum para que se faça a interpretação dos resultados. Caberá a cada laboratório, conforme as técnicas que utiliza para as dosagens, deixar claro que consegue ou não fazer a leitura.


A futura adoção da recomendação ajudará muito os pacientes que se sentiam mal ao permanecer muito tempo sem se alimentar, com queda na taxa de glicemia. Será ainda mais benéfico para os diabéticos, os idosos e as crianças.


Medida revista


O Hospital das Clínicas de Botucatu da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB) saiu na frente e já está revisando a recomendação de períodos longos de jejum para fazer alguns tipos de exame de sangue. Conforme afirmou o patologista da instituição, Dr. Alessandro Lia Mondelli, “na prática, a dieta do paciente não altera muito seus exames, devido ao avanço das tecnologias laboratoriais, que diminuem os interferentes das reações. Outro dado importante é que, quando você realiza o exame do paciente em jejum, significa que ele se programou para aquilo, o que não é habitual em seu dia a dia. Por exemplo: nós ficamos em jejum? Quase nunca, a não ser quando estamos em dieta ou precisamos ficar. Portanto, especialistas dizem que coletar o exame sem a pessoa estar em jejum significa saber como realmente a pessoa se encontra no seu dia a dia naturalmente”.


Em entrevista para a Assessoria de Imprensa do HCFMB, ele explicou que “quando uma pessoa fica muitas horas sem comer, os níveis de colesterol e triglicerídeos tendem a baixar. E se a dosagem for feita nesse período, quando as taxas estão menores, o resultado pode não refletir o verdadeiro risco de uma doença cardiovascular”. Sobre a adoção da nova recomendação pelo Hospital das Clínicas, ele explicou: “A maioria dos pacientes que dosa o perfil lipídico também dosa a glicose. Então, por hora, estamos mantendo a tradição do jejum de 12 horas. Mas essa medida será revista em breve, seguindo as novas normas mundiais”.


O jejum ainda será recomendado em situações específicas, mas com grandes chances de ser desnecessário ao longo do tempo. O jejum de oito a 14 horas continua necessário para o diagnóstico de diabetes em glicemia, por exemplo.




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