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Novo medicamento contra o colesterol reduz placas de gordura nos vasos

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O anúncio dos efeitos positivos de medicamentos na luta contra o colesterol traz um novo alento para as pessoas com problemas de entupimento das artérias e sob o risco de infarto e de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O anticorpo evolocumabe, da farmacêutica Amgen, já liberado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), faz parte da classe dos inibidores de PCSK9, estimulando a retirada de circulação do LDL (o colesterol ruim) pelo fígado.


Sua capacidade de diminuir a aterosclerose (as placas de gordura que se depositam nas paredes dos vasos sanguíneos) foi atestada no Encontro Científico da Associação Americana do Coração, realizado em Nova Orleans (EUA).


Além do evolocumabe, o alirocumabe também está aprovado.


Pesquisa


O Brasil participou dos estudos que envolveram 968 pessoas em 30 países. Elas foram divididas em dois grupos e o trabalho durou um ano e meio. Metade foi submetida a injeções mensais ou quinzenais de evolocumabe, enquanto a outra parte levou picadas na pele sem nenhum efeito terapêutico. Contudo, todas permaneceram tomando diariamente comprimidos de estatina, medicamento mais utilizado para combater as altas taxas de LDL no organismo, passando por baterias de ultrassom das artérias coronárias. A intenção da pesquisa era verificar se o tamanho das placas de gordura por ali se alterava.


Segundo o “Journal of American Medical Association” (Jama), 64% dos voluntários que passaram pela terapia com o inibidor de PCSK9 apresentaram uma regressão significativa da aterosclerose, sendo o efeito duas vezes superior ao obtido apenas com a estatina. Por outro lado, cerca de 90% dos pacientes tratados com as duas medicações ainda atingiram níveis de LDL menores que 70 miligramas por decilitro de sangue, valor considerado ideal para aqueles com maior risco de apresentar doenças cardiovasculares.


Os temores de que um fármaco com uma ação tão poderosa sobre o colesterol ruim não pudesse ter o poder de diminuir o número de infartos foram aliviados em parte com a publicação do estudo. Agora, a expectativa é de que novos trabalhos possam comprovar de vez a ligação dos inibidores de PCSK9 com menos problemas ao peito.


As estatinas continuam como primeira opção para tratar a maioria dos casos, mas esta classe de medicações aponta para um futuro em que poderá contribuir no tratamento de pessoas em que esses comprimidos não são tolerados ou não apresentem os resultados almejados.


Alirocumabe


Este medicamento, produzido pela Sanofi e pela Regeneron e já liberado para uso nos EUA e na Europa, tem previsão de chegada ao Brasil em meados de 2017. Recente estudo constatou um benefício extra no tratamento com a droga, que diminui a necessidade de retirar o excesso de colesterol da circulação por meio de uma máquina que filtra o sangue. Denominado aférese terapêutica, o processo funciona como nos moldes de uma hemodiálise, devendo ser realizado todas as semanas em alguns pacientes com hipercolesterolemia familiar, um tipo de colesterol altíssimo e relativamente comum, marcado pelo LDL acima dos 200 e com poucas soluções realmente efetivas à disposição.


As drogas da classe dos inibidores de PCSK9 prometem revolucionar o processo de redução das altas taxas de colesterol. Elas agem em uma proteína que destrói receptores do fígado responsáveis por captar o LDL da circulação, mantendo os níveis sob controle. Além do alirocumabe e do evolocumabe, o bococizumabe, desenvolvido pela Pfizer, encontra-se em suas últimas etapas de estudo. Todos eles estão no caminho para serem indicados quando as estatinas não alcançarem os resultados esperados.


Arsenal terapêutico



  • Estatina - Medicamento considerado como de importância fundamental para se obter bons resultados no tratamento. Mesmo com as novas pesquisas em curso, tende a continuar como a primeira opção durante muito tempo.

  • Ezetimiba - É um dos mais recentes reforços na luta para reduzir as taxas ruins do colesterol, sendo um reforço caso a estatina não solucione o problema. O índice de redução nas taxas de LDL é de aproximadamente 20%.

  • Colestiramina - Sob a forma de pó, coloca um freio na absorção de colesterol no intestino. Todavia, apresenta pouca tolerância pelos pacientes.

  • Fitoesterol - Presente em cápsulas e em alguns alimentos, como a margarina. Exerce um papel de coadjuvante, uma vez que tem efeito mais limitado.

  • Dieta e exercício - Recomendações de praxe para manter as artérias livres do excesso de gordura: alimentação correta e muito suor na camisa.




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