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Novo composto abre porta para tratamento contra o câncer

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Um novo composto químico, que atua como um gene supressor de tumor, tem se revelado eficaz no tratamento do câncer, especialmente da mama e próstata, e também no combate ao envelhecimento. Sua função é ativar uma proteína que, nas células cancerígenas, está deslocada do seu local de origem, podendo ser o passo inicial para o desenvolvimento de um fármaco para o tratamento de certos tipos de câncer, uma alternativa à quimioterapia clássica, que é mais tóxica e pode provocar mais efeitos colaterais aos pacientes. Embora o processo também seja químico, é mais específico e localizado, atuando apenas na proteína em questão.


A descoberta foi anunciada pelos pesquisadores do Centro de Investigação em Biomedicina da Universidade do Algarve, com sede em Faro, a mais prestigiada instituição de ensino superior do Sul de Portugal. Também participam do projeto a Universidade de Milão (Itália) e a Fundação Medina, em Granada (Espanha). Wolfgang Link, coordenador dos trabalhos, afirma que foram testados cerca de 500 tipos diferentes de compostos até se chegar ao que tem a função de realocar a proteína no núcleo das células.


Ação específica no gene


Segundo Wolfgang Link, este tipo de tratamento é especialmente eficaz nos casos de câncer (mama ou próstata) em que a proteína FOXO está fora da sua localização, geralmente, em uma célula cancerígena, "sequestrada" no citoplasma.


A droga tem ação específica sobre este gene, obrigando-o a retornar para o núcleo, onde exercerá suas funções normalmente. Depois de "caracterizar melhor esta molécula a nível celular", conforme explicou Bibiana Ferreira, outra integrante do projeto, ela será então testada com ratos em laboratório. O objetivo é matar as células cancerígenas sem que as células normais sejam danificadas.


A porta para se chegar a um tratamento mais eficaz está aberta e o desenvolvimento do novo composto tem pela frente um longo caminho, podendo demandar bastante tempo até se chegar a um produto final. Demanda estudos e testes acerca da toxicidade do composto para saber se não danifica as células saudáveis do corpo. Para isto, necessita de recursos e de financiamentos para avançar.




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