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Nanocristais podem otimizar fármacos no tratamento da Malária

Nanocristais podem otimizar fármacos no tratamento da Malária


As doenças negligenciadas, moléstias transmissíveis que prevalecem em regiões tropicais e subtropicais, como Chagas, Malária e Leishmaniose, atingiram 1,7 bilhão de pessoas em 2014. O desenvolvimento de fármacos para combatê-las tem mobilizado iniciativas independentes com a busca de soluções inovadoras. Uma delas é a pesquisa “Melhora da solubilidade em formulações contendo ácido orótico através do uso de nanocristais”, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP), tendo à frente a pesquisadora Jéssica de Cássia Zaghi Compri.


A farmacêutica bioquímica utilizou o que existe de mais avançado na área da tecnologia farmacêutica, trabalhando em parceria com pesquisadores do Japão e tendo como objetivo avançar no tratamento de doenças como a Malária. Ela e seus colaboradores patentearam uma invenção que promete melhorar a solubilidade e, consequentemente, a absorção de medicamentos utilizando nanocristais.


Resultados promissores


A pesquisadora desenvolve o trabalho a partir de seu mestrado, investigando as propriedades da molécula de ácido orótico, também conhecida como vitamina B13. Sob a coordenação da professora Nádia Bou-Chacra, iniciou então o mapeamento do projeto no Laboratório de Tecnologia Farmacêutica. O nanocristal é uma das classes de nanopartícula, objeto de dimensão ínfima que se comporta como um sistema único no que diz respeito às suas propriedades e ao seu transporte.


Os pesquisadores trabalham para aumentar a solubilidade de fármacos e, com isso, a biodisponibilidade deles dentro do corpo. Desta forma, existe a possibilidade de melhorar a absorção da substância pelo organismo, diminuindo a dose da medicação e os efeitos colaterais.


O ácido orótico foi descoberto na década de 80, durante a realização de ensaios in vivo e in vitro pela professora Veni Maria Andres Felli. Em entrevista ao “Jornal da USP”, Jéssica declarou: “Na ocasião, os pesquisadores descobriram que o ácido tinha uma boa ação antimalárica e uma baixa toxicidade, que é um problema comum”. Segundo ela, até hoje os fármacos que são utilizados para o tratamento da malária são considerados muito tóxicos, acarretando uma série de efeitos colaterais e mesmo sequelas.


Composto mais solúvel


O Laboratório de Tecnologia Farmacêutica passou a utilizar nanopartículas direcionadas às doenças negligenciadas há cerca de três anos. Assim abriu um caminho para o desenvolvimento de candidatos a fármacos e ao melhoramento de fármacos já existentes com o intuito de combater esses males. A meta de Jéssica era chegar a um novo derivado do ácido orótico, a fim de utilizá-lo no tratamento da doença: “Por meio de síntese química, adicionando alguns grupos funcionais a ele, queríamos elaborar um composto mais solúvel e com isso aumentar sua eficácia”.


As tentativas iniciais não lograram êxito. Somente com a introdução dos nanocristais, “que não precisam ser solúveis em virtualmente nada”, é que veio a solução para uso do ácido orótico. “Podemos pensar na nanopartícula como uma bolinha, e o princípio ativo pode estar disperso na capa protetora dessa bolinha, ou no líquido em seu interior. Ele pode estar disposto de várias formas, mas sempre existe uma membrana que recobre essa bolinha”, explicou.


Parcerias


Com a patente registrada, os pesquisadores procuram novos parceiros para iniciar os ensaios, in vivo e in vitro, objetivando estabelecer uma comparação com o primeiro ensaio, realizado em 1980, base e inspiração do projeto. Será a forma de averiguar se, realmente, foi aumentada a eficácia do ácido como antimalárico.




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