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Presença das Mulheres na Medicina - Panorama atual

Presença das Mulheres na Medicina - Panorama atual


Hoje comemoramos o Dia Internacional da Mulher e, para homenageá-las, elaboramos uma série de posts especiais sobre a presença feminina na Medicina, desde seus primórdios, até a atualidade. Embora majoritariamente masculina, detecta-se no Brasil um número cada vez maior de mulheres se formando, superior ao de homens, indicando uma “feminização” da profissão. Por isso, é importante destacar a têmpera das pioneiras, que venceram barreiras sociais e políticas para estudar, se formar e prestar atendimento médico em uma época de predomínio absoluto dos homens na carreira. Foram modelo e inspiração para que as mulheres atingissem o estágio atual e conquistassem o devido reconhecimento e respeito.


Mais médicas


A pesquisa Demografia Médica do Brasil 2015 detectou o crescente aumento de mulheres se formando em cursos de graduação, embora os homens ainda sejam a maioria exercendo a profissão. Segundo o professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Mário César Scheffer, coordenador do trabalho, os resultados apontam para uma tendência de “feminização” da Medicina. “Desde 2010, no Brasil, as mulheres são maioria entre os novos registros de médicos e mesmo nos cursos de graduação de Medicina, essa é uma tendência consistente. Apesar de a profissão, hoje, ser majoritariamente masculina, em médio prazo, teremos mais mulheres na Medicina, afirma.


Em 2014, entre cerca de 400 mil profissionais, os homens representavam 57,5%dos médicos, enquanto o índice de mulheres era de 42,5%. Porém, ao se analisar o grupo que está terminando a graduação, com 29 anos ou menos, as mulheres são maioria, com 56,2% contra 43,8% dos homens. Na faixa de 30 a 34 anos, há um “empate técnico”, com 49,9% de mulheres e 50,1% de homens. Já no grupo dos 50 aos 54 anos, o percentual masculino é maior, alcançando 55,6%. Vantagem que se amplia ainda mais na faixa dos médicos entre os médicos com idade entre 65 e 69 anos: 77,6%.


O estudo da Faculdade de Medicina da USP revelou ainda que existem mais mulheres médicas na esfera pública: 52,7%, contra 47,3% dos homens. Segundo o coordenador do trabalho, a presença feminina em especialidades médicas essenciais, responsáveis pelo atendimento da maior parte dos problemas de saúde da população, é de grande relevância: “Em um sistema de saúde como o SUS, orientado a partir da atenção primária, isso pode ser benéfico”.


Menores salários


Mesmo com a crescente presença feminina na Medicina, de outro lado observa-se que a remuneração das mulheres não acompanha a dos homens e na menor faixa de salário da pesquisa (até R$ 8 mil) estão 27,9% das mulheres, enquanto os homens são 14,1%. De outro lado, na faixa salarial mais alta (R$ 24 mil ou mais) encontram-se 20,1% dos homens e 4,4% das mulheres. Mário Scheffer analisa o resultado da pesquisa e faz um alerta:


- As mulheres trabalham tanto quanto aos homens em relação ao número de vínculos de trabalho e à carga horária, mas elas têm menor remuneração e estão menos presentes em diversas especialidades médicas. É preciso compreender e reverter as desigualdades de gênero que existem também na Medicina.


O trabalho do professor Mário Scheffer e do pós-graduando Alex Jones Flores Cassenote, “A feminização da medicina no Brasil” está descrito em artigo da revista “Bioética”, disponível na internet.


 Leia aqui sobre a história das mulheres na medicina.


 




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