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O delicado momento de comunicar um diagnóstico dramático

Como dar ao paciente um diagnóstico difícil?


Diante de um paciente com um quadro difícil, como abordar a questão com o enfermo e seus familiares? É consagrado o direito de todo ser humano receber informações sobre suas condições de saúde e doença, além de suas possibilidades terapêuticas. O dever de comunicar uma má notícia é uma rotina na vida dos profissionais da área de saúde, mexendo com sua sensibilidade e provocando desconforto, mesmo com toda sua experiência, principalmente quando se trata de um câncer. Eis o dilema. Nos últimos 15 anos, cresceram de forma acentuada as discussões em torno do problema, na busca de uma preparação ideal de médicos e enfermeiros, sob a ótica de trabalhar corretamente a informação. A busca de uma atuação eficaz se faz necessária, levando-se em conta as experiências profissionais de cada um, e estes profissionais devem ter em mente as condições individuais de cada paciente, tendo em vista seus aspectos psicológicos, sociais e culturais.


A tarefa se torna mais difícil quando a doença é incurável. E mais complicada ainda quando o enfermo não julga que seu quadro é tão desesperador e irreversível assim. Mais do que nunca, médicos e enfermeiros devem estar devidamente preparados para saber, no melhor momento e no ambiente adequado, como fazer a revelação e em que medida fazer o comunicado. Com a dose necessária de sensibilidade e sempre cientes do estado real do paciente e de sua capacidade de reagir.


Cabe ao médico, conforme grande maioria dos estudos já detectaram, revelar o diagnóstico ao paciente, que prefere ouvir dele a notícia. Mas, muitas vezes, esta preferência pode recair sobre o enfermeiro, por quem o doente tenha maior empatia, englobando aí dedicação, carinho, conforto e confidências, até se criar laços de amizade. Sem dúvida, trata-se de um instante de importância profunda, uma vez que a comunicação do diagnóstico poderá gerar situações extremas, afetando sintomas, modificando o comportamento e as relações sociais.


Vários estudos têm apontado na direção de que tal comunicação deve ser feita, dentre outros pontos, priorizando um ambiente quieto e tranquilo, em que haja privacidade e conforto, com arranjos físicos que permitam uma distância interpessoal adequada. Neste momento, quase solene, mais do que nunca médico e paciente estão unidos e o fator tempo deve ser esquecido, com o profissional tendo reservado horário especial para a conversa, sem que tenha que pensar na próxima consulta. De forma concisa e sem dar margem para interpretações equivocadas, o médico exporá seu diagnóstico com uma linguagem adequada e compreensível, dirimindo as dúvidas tanto do enfermo quanto de seus familiares. Honestidade e clareza, suavidade e respeito são recomendações das quais não se deve abrir mão.


Existem controvérsias acerca da quantidade de informação a ser repassada, uma vez que é importante observar o estágio da doença, o estado psicológico do enfermo e o quanto ele gostaria de saber. Recomenda-se, porém, que os detalhes acerca do diagnóstico sejam dados em vários encontros, com as explicações devidas sendo repetidas quantas vezes se avaliar necessárias. A dose de informação estaria, pois, diretamente ligada às reações nos encontros anteriores. Até se chegar a este ponto, é preciso que se faça uma preparação, passo a passo, a fim de que se possa superar a dificuldade e para que o doente esteja com disposição para colaborar durante o tratamento.


Se os cuidados começam antes do diagnóstico, devem continuar durante e até depois do tratamento. Trata-se de um momento de muita angústia e ansiedade, uma vez que muitos recebem a informação fatal como se fosse sua sentença de morte, trazendo incertezas, angústias, ceticismo, revolta e questionamentos. Médicos e enfermeiros devem estar preparados para atuar com eficiência e humanidade, respeitando também a vontade do enfermo em saber ou não de seu real quadro clínico, a verdade sobre a sua evolução e possíveis tratamentos.




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